24 de fevereiro de 2015

Santarém, Pará: um pequeno guia

Já faz quase oito meses desde que deixei a cidade de Santarém, onde morei por mais de dois anos, e voltei para Belém. Ou seja, esse post está mais atrasado que noiva de novela no dia do casamento. Por sinal, o post já estava nos rascunhos há quase um ano porque eu não tinha fotos suficientes, mas resolvi deixar assim mesmo. Já era mais que hora de fazer um guia para o blog sobre a cidade onde nasci, mas que só pude conhecer melhor muito recentemente. Vamos lá, então? Fiz um resumo do que vale a pena ver e fazer na Pérola do Tapajós e onde comer bem (porque dessa parte eu entendo).

Alter do Chão e praias do Rio Tapajós

Em 2009, Alter do Chão foi eleita a praia mais bonita do Brasil pelo jornal britânico The Guardian - sim, à frente de Fernando de Noronha! Talvez o motivo do sucesso do nosso Caribe Amazônico seja a combinação de uma beleza digna de mar - pela cor esverdeada do Rio Tapajós e pela areia branca - com a tranquilidade da água doce.

Para mim, o mar realmente é lindo e impossível de ser substituído quando se trata de praticar mergulho, snorkel, surfar, fazer um cruzeiro maravilhoso etc. Mas para tomar aquele banho renovador, nada como a água doce. Eu confesso que o mar me causa até um pouco de aflição, pela sensação de ter corrido uma maratona depois de 15 minutos lutando contra a correnteza e, não vou mentir, pelo pânico dos bichos (daqueles que estão na minha cabeça, e não necessariamente dos que existem no fundo do mar de verdade).

A Vila de Alter do Chão fica a cerca de 35 km do centro de Santarém e o acesso é bem fácil. A estrada é boa e, para quem não tem carro, os ônibus saem de hora em hora (ou a cada 30 minutos aos finais de semana), por apenas R$ 2,50. O melhor período costumava ser de janeiro a agosto, quando o volume do rio é menor, mas em tempos de clima louco, fica difícil prever. Em 2013 não deu praia até outubro, por exemplo. O prato famoso em Alter é o tambaqui grelhado. O festival folclórico do Sairé (ou Çairé) ocorre sempre no mês de setembro, mas a data exata varia de ano para ano.

Foto: alterdochao.tur.br

Vale informar que Alter do Chão não é a única praia bonita da região, embora seja a única famosa. Desde criança eu frequento a praia do Carapanari, que é tipo o cantinho "secreto" da minha família. Posso citar também as praias de Cajutuba e Aramanaí, no município de Belterra, de fácil acesso por estrada, mas existem muitas outras com cenários lindos que não perdem pra Alter.


Carapanari. Foto: arquivo pessoal



Pôr do sol em Carapanari. Foto: arquivo pessoal


Orla e Encontro das Águas

Cidades com uma orla bem construída sempre são mais atraentes. Do fim da tarde até o fim da noite, a orla de Santarém é o principal ponto de encontro de famílias, casais e amigos que passeiam, se exercitam, pescam, comem e bebem. No Terminal Fluvial Turístico é possível contratar um tour de barco para ver de pertinho o encontro dos Rios Tapajós e Amazonas, com guia (que, por sinal, é o próprio piloto do barco). Para quem ainda não viu o fenômeno, as águas verde-escuras do Tapajós não se misturam às barrentas do Amazonas (algo a ver com temperatura e velocidade) e assim temos a impressão de que elas estão se enfrentando. O passeio inclui uma volta por ilhas e comunidades ribeirinhas próximas, sendo possível ver botos, vitória-régia, garças e outras aves pelo caminho. O programa fica bem mais interessante ao pôr do sol. Não tenho certeza do preço, mas acho que o aluguel do barco sai por volta de R$ 60,00, com espaço para até 4 ou 5 pessoas.


  

Parque da Cidade

O Ibirapuera dos santarenos. É uma grande área para lazer e prática de exercícios físicos da cidade. O lugar tem 1,2 km de trilhas internas, com muito verde em volta, mas muita gente prefere se exercitar na calçada que circunda o parque. Point de corredores, skatistas, patinadores, capoeiristas e outras tribos urbanas e famílias com crianças.  


Centro Cultural João Fona

Santarém é praticamente um grande sítio arqueológico, e neste museu é possível encontrar peças e fragmentos de cerâmica da cultura tapajônica. O acervo conta, ainda, com itens do século XIX, pinturas e até a ossada de uma baleia que encalhou e morreu em uma praia de Santarém em 2007. Infelizmente, o museu não é bem cuidado, na minha opinião. Endereço: Av. Tapajós, Centro.


Comer/Beber

Dom Mani – A melhor pizza da cidade e a única que utiliza fogão a lenha, até onde eu sei. Restaurante, pizzaria e gelateria, a Dom Mani é especializada em comida italiana, com um toque paraense. Recomendo qualquer pizza, já que todas são maravilhosas. Endereço: Trav. Barjonas de Miranda, 55. Aberto só à noite.

Nossa Casa – Com uma ambientação meio rústica, é um restaurante com cardápio variado e pratos exclusivos, com destaque para os peixes. O prato mais pedido se chama Mega Tapajós: pirarucu na chapa com creme de pirarucu defumado e ervas finas, acompanhado de arroz com jambu ao tucupi. Gente, que coisa boa! Endereço: Trav. São Cristóvão (dá para ir a pé da orla).

El Mexicano – O restaurante já me ganhou pela decoração, muito caprichada com ícones mexicanos, incluindo nossos amados Chaves e Chapolin. Mas mais importante: é a melhor comida mexicana que já experimentei até hoje. As costillas ao molho agridoce (foto ao lado) e o taco de picanha são sucessos da casa. Os drinks também são caprichados. Endereço: Av. Mendonça Furtado, 1427. Aberto só à noite.

Peixaria Rayanna – Peixaria mais famosa da cidade. Todos os pratos são muito bons, com a vantagem de terem um preço mais amigo. O ruim do restaurante é que não é climatizado, embora exista uma filial climatizada no do Iate Clube de Santarém (não é preciso ser sócio para entrar). Endereço: Rui Barbosa, 3596, e Rua 24 de Outubro, 3718.

Café Amorim – O primeiro café da cidade tem uma decoração fofa e um cardápio maravilhoso. Café expresso, capuccino, café com Nutella (eu disse NUTELLA), crepes, tapiocas com diversos recheios, tapioca molhada no leite de coco (minha favorita), cupcakes, tortas, milkshakes etc. Endereço: Av. Mendonça Furtado, 2585. Funciona a partir do fim da tarde, de terça a domingo.

Sorveteria Nido – Em Santarém a Nido reina absoluta. Os sorvetes dela talvez não tenham aquele sabor quase de suco natural, mas são bons. Uma das lojas da Nido é self-service: você pode acrescentar frutas, calda de chocolate e outras coisinhas ao sorvete. A Nido está em diversos endereços, mas o self-service fica na Av. Mendonça Furtado.

Kaizen Sushi – Comida japonesa em Santarém é sinônimo de ostentação porque os preços são altos. Acredito que é pela dificuldade no transporte até a cidade, já que os peixes e mariscos têm que chegar frescos, e não congelados, e as estradas são aquela beleza. Mas se é pra comer sushi caro, que seja o melhor. O Kaizen é o restaurante com cardápio mais tradicional. Apenas NUNCA peça os combinados (barcas) ou o rodízio: são absurdamente mais caros do que pedir porções separadas. Endereço: Av. Marechal Rondon, esquina com Cuiabá.



Pra terminar, deixo aqui algumas impressões de uma mocoronga meio forasteira.

Você sabe que está em Santarém quando:

- Existem mais mototáxis que táxis e ônibus na rua. Se você não tem carro, cedo ou tarde vai acabar tendo que usar esse serviço. Apesar dos pesares, é prático. Uma vez passei mal na rua e se aquele mototaxista não estivesse passando ali naquela rua deserta, só Deus sabe quanto tempo eu teria esperado por uma ambulância ou um táxi. Até hoje não sei o nome do cara que me ajudou (e nem cobrou a corrida), mas um dia quero agradecer a ele pessoalmente por ter me socorrido.

- O tucupi é doce. Sim, eles colocam açúcar no tacacá e no pato no tucupi, e não é pouco! Hoje em dia muitos lugares já oferecem as opções "doce" ou "azedo", e apesar de a palavra "azedo" não ser muito apetitosa, é a opção pra quem gosta do sabor mais natural do tucupi.

- Você está andando na rua e rezando pra chegar em um lugar com ar-condicionado. Muita gente diz que Santarém é mais quente que Belém, o que não é bem verdade. O problema não é a temperatura, mas a falta de vento mesmo. Mas a menos que você esteja a trabalho, tendo que usar calça e camisa de botão, vista um short e calce umas havaianas que tá tudo certo!

- O pôr do sol tem um tom lindo e diferente. Não dá pra explicar; só apreciar.

5 comentários:

  1. Bela matéria e excelente roteiro turístico!

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    1. Júlio, quando escrevi sobre o tucupi doce, só lembrei de você: a primeira pessoa que conheço que não sentiu diferença entre o doce e o azedo. hahahahah

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  2. Este comentário foi removido pelo autor.

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  3. Muito legal ju...quero levar o namorido pra conhecer! Bj

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    1. Elbinha, não tem como ele não gostar com aquelas praias, né? :) Só vamos torcer pra que o aeroporto melhore até lá

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